Mensagens por WhatsApp, e-mail e SMS simulam cobranças do Conselho de Farmácia; profissionais devem denunciar imediatamente e evitar prejuízos.
Por Dennis Martins
Boa Vista/RR - Profissionais registrados no Conselho Regional de Farmácia de Roraima (CRF/RR) estão sendo alvo de uma nova modalidade de fraude: cobranças falsas de anuidade enviadas por WhatsApp, e-mail e SMS. Os golpistas se passam por empresas de cobrança terceirizadas e utilizam linguagem técnica, logotipos falsificados e dados pessoais obtidos de forma irregular para convencer os farmacêuticos a realizar pagamentos indevidos.
O CRF/RR alerta que não envia cobranças por aplicativos de mensagem, e-mail pessoal ou SMS, e que não autoriza terceiros a realizar contato direto com profissionais para tratar de anuidades. Toda comunicação oficial ocorre exclusivamente pelos canais institucionais.
A presidente do CRF/RR, Bianca Crispim, reforça que o Conselho não tem qualquer relação com essas abordagens fraudulentas.
“Nenhuma empresa está autorizada a cobrar anuidades em nome do CRF/RR. Não enviamos boletos por WhatsApp, não ligamos para exigir pagamentos e não responsabilizamos o Conselho por valores pagos a terceiros. O profissional que receber qualquer mensagem suspeita deve nos procurar imediatamente”, alertou.
O golpe tem se espalhado rapidamente, segundo relatos recebidos pelo setor de fiscalização. Os criminosos utilizam táticas de pressão psicológica, como supostos prazos curtos, ameaças de inscrição em dívida ativa e descontos falsos para induzir o pagamento.
O conselheiro federal de Farmácia, Adônis Motta, alerta para a gravidade da situação.
“Esse tipo de fraude coloca em risco não apenas o patrimônio dos profissionais, mas também a credibilidade das instituições. É fundamental que os farmacêuticos confirmem qualquer informação diretamente com o CRF/RR antes de efetuar qualquer pagamento”, esclareceu.
O CRF/RR orienta que todos os profissionais que receberam mensagens suspeitas registrem denúncia formal e encaminhe capturas de tela, números de telefone e e-mails utilizados pelos golpistas. O material será encaminhado às autoridades competentes.
COMO PAGAR CORRETAMENTE A ANUIDADE DO CRF/RR
Procedimento oficial
- A emissão de boletos de anuidade é feita exclusivamente pelo portal oficial do Conselho Federal de Farmácia (CFF) ou pelo site do CRF/RR.
- O profissional pode acessar sua área restrita, gerar o boleto e realizar o pagamento com segurança.
- O CRF/RR não envia boletos por WhatsApp, SMS ou e-mail pessoal.
- Nenhuma empresa terceirizada está autorizada a realizar cobranças ou contatos diretos.
Se receber uma cobrança suspeita
- Não pague.
- Não clique em links.
- Não forneça dados pessoais.
- Entre em contato imediatamente com os canais oficiais:
- Atendimento presencial na sede do CRF/RR
- Telefones institucionais
- E-mail oficial do Conselho
- Registre denúncia e encaminhe evidências (prints, números, mensagens).
Importante
O CRF/RR declara que não se responsabiliza por pagamentos indevidos realizados a terceiros, já que não autoriza qualquer empresa ou pessoa a cobrar anuidades em seu nome. Qualquer denúncia direta deve ser feita pelo Whatsapp do Conselho (95) 99129-3448 ou ir direto na sede Rua Professor Agnelo Bitencourt, 1506, São Francisco em horário comercial.
Levantamento da Abrafarma/QualiBest mostra que 85% responsabilizam as plataformas por oferta de remédios irregulares; Anvisa ainda prepara regulamentação para a venda online
Uma pesquisa realizada pelo Instituto QualiBest de Pesquisa de Mercado mostrou que 69% dos consumidores brasileiros têm receio de adquirir medicamentos falsificados pela internet.
Quando isso acontece, 85% dos entrevistados atribuem às plataformas de venda online a responsabilidade pela oferta de remédios falsificados, sem registro ou de procedência desconhecida.
A sondagem foi feita por encomenda da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) e ouviu 2.024 pessoas que são responsáveis pela compra de medicamentos no domicílio e com hábito de realizar compras pelo menos uma vez a cada três meses. As entrevistas foram realizadas entre 13 e 17 de julho, em todas as regiões do país.
Além da falsificação, 59% temem receber medicamentos vencidos ou armazenados de forma inadequada e 54% citam o risco de adquirir produtos sem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Na percepção dos consumidores entrevistados, as regras para a comercialização digital de medicamentos deve estar obrigatoriamente vinculada a uma farmácia ou drogaria autorizada (82%), enquanto 71% avaliam que medicamentos não devem ser tratados como mercadorias comuns em plataformas digitais.
Anvisa
Neste mês de agosto, a Anvisa revogou medidas que proibiam a comercialização e a propaganda de medicamentos em plataformas como iFood, Rappi, Mercado Livre, Submarino, Americanas e Shopee.
A agência esclareceu, entretanto, que a decisão não representa autorização automática para a venda de medicamentos nesses canais.
A Lei nº 15.357/2026 passou a permitir que farmácias e drogarias regularmente licenciadas contratem canais digitais e plataformas de comércio eletrônico exclusivamente para fins de logística e entrega de medicamentos ao consumidor, desde que cumprida a regulamentação sanitária aplicável.
A implementação da medida não produz efeitos imediatos e ainda depende de regulamentação específica da Anvisa, destacou o CEO da Abrafarma, Sérgio Menna Barreto.
Segundo ele, a compra online de medicamentos está condicionada à existência de “regras claras, responsabilização e supervisão profissional, e não apenas à conveniência do canal”, uma vez que medicamentos exigem um nível de controle superior ao de outras categorias vendidas pela internet.
Para a Abrafarma, qualquer novo modelo de comércio deverá preservar integralmente as regras sanitárias aplicáveis à dispensa de medicamentos e as salvaguardas necessárias à proteção da saúde da população.
“A responsabilidade pela venda e pela assistência farmacêutica deve permanecer com farmácias e drogarias regularmente licenciadas, com garantia de orientação profissional, controle de prescrições, rastreabilidade, armazenamento e transporte adequados.”
No último dia 19, a Diretoria Colegiada da Anvisa aprovou, por unanimidade, a abertura de processo administrativo para regulamentar a contratação, por farmácias, de canais digitais e plataformas de comércio eletrônico para fins de logística e entrega ao consumidor.
Procurada pela reportagem, a Anvisa informou que o aperfeiçoamento regulatório será feito para adequar as regras sanitárias à Lei 15.357/2026.
“Para a contratação de plataformas de comércio e canais digitais, como prevê a lei, a Anvisa ainda editará as normas. Assim, o artigo específico que trata deste item ainda depende de regulamentação”, concluiu a Agência.
Durante a 15ª Reunião Ordinária Pública da Diretoria Colegiada de 2026 da Agência, o relator da matéria, diretor Daniel Pereira, observou que a medida tem potencial para ampliar o acesso da população a medicamentos, contribuindo ainda para maior conveniência, rapidez e eficiência na entrega de produtos essenciais à manutenção da saúde.
Ele deixou claro, porém, que a inovação legislativa não afasta a existência de riscos sanitários relevantes.
CFF
Procurado pela Agência Brasil, o Conselho Federal de Farmácia (CFF) ressaltou que a entrada das plataformas não representa a venda de medicamentos pela internet de forma aleatória.
O que será autorizado, após a regulamentação pela Anvisa, é a utilização das plataformas pelas farmácias para a sua operação. Esse posicionamento da Anvisa será cobrado pelo CFF durante o processo de regulamentação.
Procon-RJ
O diretor jurídico do Procon do estado do Rio de Janeiro (Procon-RJ) Silvio Romero explica que as farmácias e as plataformas de venda online são responsáveis, perante o consumidor, por quaisquer prejuízos que ele eventualmente tiver relacionado à qualidade e garantia dos medicamentos que vier a adquirir via internet.
Segundo ele, enquanto não houver a regulamentação da Anvisa, somente farmácias autorizadas podem fazer essa venda por plataformas digitais:
“A Anvisa está iniciando esse processo regulatório e a gente fica no aguardo de outras condições que ela eventualmente venha a colocar para continuar garantindo a qualidade dos produtos aos consumidores.”
No entender do diretor do Procon-RJ, as farmácias e drogarias devem buscar fornecedores legalizados, que assegurem “todas as garantias de que esse produto vai ser entregue ao consumidor nas condições estabelecidas pelo fabricante dos medicamentos”.
Silvio Romero destacou que quando a venda de remédios por plataformas digitais estiver regulamentada, o consumidor deve estar atento para verificar vários aspectos, dentre os quais o preço.
“Se ele identificar ofertas muito abaixo do valor de mercado, incompatíveis com o preço normalmente praticado pelas farmácias, este é um primeiro indício para ele desconfiar desse medicamento”.
Segundo ele, também será importante que o consumidor guarde todos os documentos referentes à compra, como comprovante de aquisição, nota fiscal, anúncio.
“Porque, caso ele venha a ter algum problema, terá mais condições de fazer essa reclamação para que os órgãos competentes possam fazer a sua investigação e, eventualmente, proceder à punição de fornecedores que estejam infringindo a legislação”.
Isso vale, por exemplo, para venda de produto com validade vencida, que é uma infração ao Código de Defesa do Consumidor e está sujeita à fiscalização e à instalação de processo administrativo no Procon-RJ. O mesmo acontece em relação à venda de produtos não autorizados.
Consumidor digital
O consumidor brasileiro não enfrenta resistência ao comércio eletrônico, pelo contrário, comprova a pesquisa da QualiBest e Abrafarma: 95% dos entrevistados já realizaram compras online e nove em cada dez afirmam que costumam avaliar a segurança do site antes de comprar, considerando principalmente a credibilidade do vendedor e a experiência de outros consumidores.
Mesmo com essas precauções, 69% relataram já ter enfrentado alguma experiência negativa em compras pela internet, como produto diferente do anunciado, atraso na entrega, produto danificado ou golpes em que a compra foi realizada, mas o item não foi recebido.
Quando a compra envolve medicamentos, a assistência profissional também aparece como fator de confiança, demonstra a sondagem. Para 78% dos entrevistados, a presença de um farmacêutico aumenta a confiança na compra de medicamentos.
Também a compra em uma plataforma de compras conhecida aumenta a percepção de que o produto é seguro para 52% dos consultados. Outros 56% disseram que teriam dificuldade para saber a quem recorrer caso enfrentassem algum problema com um medicamento adquirido nessas plataformas.
A insônia deverá ganhar uma nova opção de tratamento no Brasil. A farmacêutica brasileira Eurofarma e a japonesa Eisai firmaram uma parceria para comercializar o Dayvigo, medicamento à base de lemborexante. A previsão é que o produto esteja disponível no mercado brasileiro ainda neste semestre, com preço médio estimado em R$ 200.
O lemborexante pertence a uma classe de medicamentos que atua de maneira diferente dos benzodiazepínicos e dos chamados medicamentos Z, como o zolpidem. Em vez de provocar a redução generalizada da atividade do sistema nervoso central, o princípio ativo bloqueia a ação da orexina, neurotransmissor envolvido na manutenção do estado de vigília.
Na prática, a proposta é reduzir o sinal cerebral que contribui para manter a pessoa acordada, facilitando o início e a manutenção do sono. O mecanismo é considerado uma das principais diferenças em relação aos medicamentos tradicionalmente utilizados para tratar a insônia.
O Dayvigo foi desenvolvido pela Eisai, que continuará responsável pela titularidade do registro sanitário e pelas diretrizes globais da marca. A Eurofarma ficará encarregada da comercialização, promoção e distribuição do medicamento no território brasileiro.
O medicamento recebeu aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso em adultos. A dose inicial recomendada é de 5 mg, uma vez por noite, próxima ao horário de dormir. O paciente deve ter pelo menos sete horas disponíveis para dormir antes do horário planejado para despertar. Conforme a resposta clínica e a tolerabilidade, a dose pode ser aumentada para 10 mg.
Menor risco de dependência ainda é avaliado
Uma das expectativas em relação ao lemborexante está relacionada ao potencial de apresentar menor risco de dependência em comparação com algumas opções atualmente utilizadas no tratamento da insônia.
Os benzodiazepínicos são conhecidos há décadas e continuam sendo utilizados em diferentes situações clínicas. Com o uso prolongado, entretanto, podem ocorrer tolerância, dependência e alterações cognitivas. O consumo inadequado também pode aumentar o risco de eventos graves, principalmente quando associado a outras substâncias depressoras do sistema nervoso central.
O zolpidem surgiu posteriormente como uma alternativa aos benzodiazepínicos e passou a ser amplamente utilizado para tratar dificuldades relacionadas ao sono. Apesar de apresentar características farmacológicas diferentes, seu uso também exige acompanhamento profissional e atenção ao risco de dependência, tolerância e comportamentos anormais durante o sono.
Estudos clínicos realizados com o lemborexante apontam um perfil considerado promissor nesse aspecto. No entanto, especialistas ressaltam que ainda é necessário acompanhar o medicamento por mais tempo para determinar com maior segurança seu potencial de abuso e dependência na prática clínica.
Uma revisão publicada na revista científica The Lancet, que comparou 36 tratamentos para insônia, colocou o lemborexante entre as opções com melhor combinação de eficácia, aceitabilidade e tolerabilidade. A análise foi conduzida por pesquisadores ligados à Universidade de Oxford, no Reino Unido.
Tratamento não começa necessariamente com medicamento
Apesar do avanço nas opções farmacológicas, especialistas destacam que o tratamento da insônia não deve se limitar ao uso de medicamentos. A primeira avaliação deve investigar as causas do problema e os hábitos que podem estar prejudicando o sono.
A terapia cognitivo-comportamental para insônia, conhecida como TCC-I, é considerada uma das principais abordagens para a insônia crônica. O tratamento trabalha pensamentos, comportamentos e fatores fisiológicos relacionados à dificuldade para dormir.
Mudanças na rotina também podem ajudar. Entre as medidas recomendadas estão manter horários regulares para dormir e acordar, praticar atividade física, reduzir a exposição a telas no período noturno, controlar o consumo de cafeína e evitar álcool próximo ao horário de dormir.
Mesmo assim, o uso de medicamentos continua frequente entre os brasileiros. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde indicam que uma parcela significativa da população utiliza medicamentos para dormir, enquanto os números de comercialização do zolpidem mostram o crescimento da procura por esse tipo de tratamento ao longo da última década.
Para os especialistas, quando a terapia medicamentosa é necessária, a orientação deve ser individualizada. A recomendação é utilizar a menor dose eficaz pelo menor período necessário, sempre com acompanhamento profissional.
A chegada do lemborexante amplia as alternativas para o tratamento da insônia, mas não elimina a necessidade de diagnóstico adequado e uso racional. A escolha do medicamento deve considerar as características de cada paciente, possíveis interações e os riscos associados ao tratamento.
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